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Apéro francês: o que é e como fazer um no Brasil

23 de set.
5 min de leitura

Sexta-feira, 19h, Paris. O expediente acabou, mas ninguém foi pra casa. As mesas na calçada estão cheias, tem uma tábua de queijos no meio, uma tigela de azeitonas do lado, e ninguém está com pressa.

Isso tem nome: apéro.


Pra um francês, apéro não é só "tomar alguma coisa antes do jantar". É um ritual. É quando o dia de trabalho acaba de verdade e a noite começa. E tem uma coisa curiosa: ele combina com o Brasil muito mais do que parece.


O que é o apéro, afinal

Apéro é o apelido de apéritif, que vem do latim aperire: abrir. A ideia original era abrir o apetite antes do jantar. Hoje ele abre bem mais que isso. Abre a conversa, abre a noite, abre a casa pros amigos.


Na prática, o apéro tem três regras que ninguém escreveu, mas todo francês segue:


  • Acontece no fim da tarde, mais ou menos entre 18h e 20h, antes do jantar

  • É simples. Ninguém passa três horas na cozinha. Você compra, abre e serve

  • É pra conversar. Não é balada nem esquenta. É o momento de sentar e ficar


Pode ser em casa, na varanda, num parque, na beira do rio ou na calçada de um bar. Em Paris, no verão, as margens do Sena e do Canal Saint-Martin ficam lotadas de grupos com uma toalha no chão e um apéro montado em cima.


E quando a comida vai chegando e ninguém levanta pra ir jantar, o apéro virou outra coisa: um apéro dînatoire, o apéro que vira o jantar. É provavelmente o formato mais amado da França.


Por que o apéro combina tanto com o Brasil


O brasileiro já tem esse momento na cultura. Chama happy hour, chama "passa aqui em casa", chama cerveja no fim da tarde depois da praia. O apéro é primo de tudo isso, com uma energia um pouco diferente.


A diferença está no ritmo. O happy hour costuma ser rápido e barulhento. O apéro é devagar de propósito. Menos "vamos virar", mais "vamos ficar". Menos quantidade, mais qualidade no que vai pra mesa.


E o clima ajuda: um fim de tarde no Rio, com o céu mudando de cor, é praticamente um convite a fazer um apéro. A França inventou o ritual, mas o Brasil tem o cenário.


Como montar um apéro em casa


A graça do apéro é que ele é fácil. Se você está suando na cozinha, algo deu errado.


O que servir


A regra é escolher de 3 a 5 itens, servir em tigelas pequenas e deixar tudo pra comer com a mão. Um clássico francês funciona assim:


  • Queijos: um mole e um curado. Aqui dá pra brincar com o que o Brasil faz de melhor: um queijo da Canastra, um brie nacional, um parmesão

  • Embutidos: salame, presunto cru, copa

  • Azeitonas e picles: os franceses amam cornichons, aqueles pepininhos em conserva

  • Pão: baguete fatiada ou torradinhas

  • Pastas: tapenade de azeitona, homus, patê

  • Crocantes: amendoim, castanhas, batata chips

  • Um toque fresco: rabanete com manteiga e flor de sal (é bem francês, pode confiar), tomatinhos, uva, figo


Quer abrasileirar? Castanha de caju, dadinho de tapioca e queijo coalho grelhado ficam ótimos numa mesa de apéro.


O que beber


Na França, o apéro tem seus clássicos: rosé gelado, pastis, kir (vinho branco com licor de cassis), spritz e cerveja.


Mas uma coisa está mudando por lá e por aqui: o apéro está ficando mais leve. Como ele é longo e a conversa rende, faz sentido escolher um drink que acompanhe o ritmo, em vez de pesar logo de cara. Drinks com menos açúcar e menos calorias ganharam espaço justamente por isso.


Foi pensando nesse momento que a gente criou a Ôbe: um drink de gin, sem açúcar, sem corantes e com só 90 calorias. Vai do cooler direto pra mesa, gelado, sem precisar de coqueteleira.


Quatro amigos brindando com latas de Ôbe gin seltzer nos sabores Frutas Vermelhas, Limão e Gengibre, Tangerina e Grapefruit e Maracujá e Manga

Quer ter um apéro pronto na geladeira? Conheça os quatro sabores da Ôbe e escolha o seu favorito pro fim de tarde.


E não esquece: todo apéro bom tem opção sem álcool. Água com gás, limão e hortelã já resolve, e ninguém fica de fora.


O clima


O apéro é mais clima do que cardápio. Três detalhes fazem diferença:

  1. Luz baixa. Fim de tarde natural ou uma luz amarela. Nada de luz branca de escritório

  2. Uma playlist sem pressa. Uma mistura que funciona: chanson francesa com bossa nova. Françoise Hardy e Marcos Valle na mesma playlist, por exemplo

  3. Gente certa. O apéro ideal tem de 4 a 8 pessoas. Com mais que isso, a conversa se divide e vira festa


Quanto comprar


Uma conta que costuma funcionar:

  • Apéro normal: cerca de 150 a 200 g de comida por pessoa

  • Apéro dînatoire: de 300 a 400 g por pessoa, com algo mais substancial (uma quiche, uma tábua maior, um pão recheado)

  • Bebida: calcule com moderação e deixe água e opções sem álcool à vontade


Apéro fora de casa: parque, praia e varanda


O apéro não precisa de sala de jantar. Na verdade, ele fica melhor ao ar livre.


No parque: leve uma toalha, itens que não derretem (queijo curado, salame, castanhas, frutas) e bebida em lata. A lata gela mais rápido, pesa menos e não quebra. E ainda tem outras vantagens de segurança que pouca gente conhece.


Na praia: muitas praias e parques proíbem vidro, e com razão. Cooler, latas e petiscos em potes fechados. E o lixo volta com você: lata de alumínio é um dos materiais mais reciclados do Brasil, então vale separar.


Na varanda: é o apéro mais fácil de todos. Uma mesa pequena, duas tigelas, o pôr do sol fazendo o resto.


5 erros que estragam um apéro


  1. Cozinhar demais. Apéro é montar, não cozinhar

  2. Começar com drink pesado ou muito doce. O apéro é longo, e começar leve é o que deixa a conversa render

  3. Convidar gente demais. Com mais de 8 pessoas, vira festa e perde a graça do apéro

  4. Esquecer quem não bebe. Sempre tenha opção sem álcool

  5. Transformar em balada. O apéro é conversa. Se precisou aumentar o som, já é outro rolê


Perguntas frequentes


Qual a diferença entre apéro e happy hour?


Os dois acontecem no fim da tarde, mas com ritmos diferentes. O happy hour costuma ser no bar, rápido, depois do trabalho. O apéro pode ser em qualquer lugar, é mais devagar e gira em torno da conversa e de petiscos simples. Menos pressa, mais mesa.


Que horas começa um apéro?


Na França, normalmente entre 18h e 20h, antes do jantar. No Brasil, dá pra adaptar ao pôr do sol: começou a escurecer, é hora do apéro.


Apéro substitui o jantar?


Pode substituir. Quando a comida é mais farta e ninguém sai pra jantar, ele vira um apéro dînatoire. Nesse caso, capriche nos itens mais substanciais e calcule mais comida por pessoa.


Quais são as bebidas típicas de um apéro francês?


As clássicas são rosé, pastis, kir, spritz e cerveja. Hoje, drinks mais leves e com menos açúcar, como o gin seltzer, entraram na mesa porque acompanham melhor um apéro longo.


Dá pra fazer apéro sem álcool?


Dá, e muita gente faz. O apéro é sobre o momento, não sobre a bebida. Água com gás com frutas, kombucha ou um mocktail simples funcionam muito bem.


O apéro é um jeito de parar, sentar e aproveitar quem está em volta. Sem roteiro e sem pressa. Chama os amigos, abre umas tigelas, põe uma música e deixa a noite chegar.

Santé!


Beba com moderação. Venda proibida para menores de 18 anos.

 
 
 

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